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  • Foto do escritorMar de Afetos

Paralelos Mitológicos: as Mávkas e La Llorona

Atualizado: 24 de abr. de 2021

No texto em que abordamos as semelhanças entre as Erínias e Haia, personagem da série desalma, retratamos que na obra original globoplay se fez muito presente a mitologia das Mávkas, entidades eslavas habitantes das florestas e próximas ao rio a fim de atrair jovens e matá-los afogados ou de cócegas.


A beleza da mitologia está em sua ambiguidade: ao mesmo tempo em que atua como uma matemática de humanas, esta pode ser estudada desde os mais diversos ângulos tais quais: filosófico, antropológico, do imaginário, psicológico, e também, como retrataremos neste texto: do olhar da comparativa.


As mitologias se interligam nos mais diversos relatos. Um exemplo está nos relatos das Mávkas (oriundo da Ucrânia) e da personagem La Llorona (conto mexicano).


Como todo mito, há inúmeras versões para o mesmo relato. Tanto nos casos das Mávkas quanto no caso de La llorona, as duas receberam muita influência do cristianismo que invadia as culturas da época.


· As Mávkas


As Mávkas são descritas como mulheres altas, magras, de cabelos longos e que vagam pelas florestas atraindo jovens ao rio para matá-los afogados ou fazendo cócegas. A forma do assassinato se difere de acordo com a origem do mito.


Existe uma vertente que afirma que as virgens afogadas por homens no rio se tornam Mávkas, e que seus espíritos vagavam pela floresta em busca de vingança. Não obstante, quando pensamos nos relatos que já sofreram influência do catolicismo, as Mávkas são crianças não batizadas que morreram afogadas, por isso, buscam por água benta para poderem descansar e se transformarem em anjo. Nesta versão, o jovem atraído pelas entidades é morto por cócegas, enquanto na primeira, é morto afogado.


As Mávkas são belas e atraentes assim como nossas sereias. Porém, de costas, dizem que são transparentes e se vê apenas os ossos. Ao mesmo tempo em que são temidas, também são reverenciadas e procuradas em momentos de incertezas e questionamentos sobre o futuro.


· La Llorona


“Se continuar chorando dessa forma, la llorona vem te pegar”. Muitas crianças mexicanas se assustam com la llorona (a chorona, em português). O mito de La llorona também sofreu influências do cristianismo. Assim como todo relato, existe inúmeras versão para a história da mulher que afogou seus filhos no rio.


A mais conhecida é sobre uma indígena se apaixonou por um homem branco, deixando seu lar, sua família e cultura para viver o amor. Os dois se casaram e tiveram dois filhos. Porém, o homem, um dia se cansou dela e ameaçou de voltar para seu país e levar as crianças.


Desesperada, ao perceber que havia perdido tudo, e principalmente os filhos, a mulher fugiu para o rio com as crianças e as afogou. Após sua morte, em uma das versões, quando e mulher chegou ao céu, São Pedro não a deixou entrar no paraíso até que encontrasse o espírito perdido dos seus filhos. Dizem que desde então, seu espírito vaga pelos rios chorando e atraindo crianças almejando desesperadamente encontrar a alma de seus bebês. As crianças que seguem o choro de la llorona morrem afogadas.


· O paralelo entre La Llorona e as Mávkas:


Quando pensamos nas duas histórias, encontramos muito presentemente a influência do cristianismo. Enquanto as Mávkas podem ser crianças não batizadas que afogam à procura de água benta para entrar no céu, La llorona busca a alma de seus filhos para poder entrar no paraíso cristão.


Outra característica comum está no elemento água: tanto na mitologia mexicana, quanto na ucraniana, na brasileira e em muitas outras, há o espírito que vive nas florestas, protetora da água e mata quem é atraído por ela.


Para além, observamos que em ambas histórias há um feminino assassinado. Se pensarmos nas Mávkas como mulheres afogadas pelos homens e que se transformam em espíritos buscando vingança, muito se assemelha a morte simbólica ocorrida em La Llorona ao perder o direito de ver os filhos e retornar à vida anterior ao matrimônio. Tanto La Llorona quanto as Mávkas são espíritos machucados em busca de vingança, de retomada do que lhe fora tirado e de libertação.


Estes são apenas alguns pontos em comum dos dois mitos. Espero que o leitor tenha conseguido compreender como as mitologias se interligam: seja na influência do cristianismo, na essência de mulheres machucadas, no rio que afoga ou que em ambos relatos as mulheres passam a eternidade tentando “concertar” um erro e quem sabe assim, “renascer”.


Através desses “padrões” que a mitologia se torna a matemática das humanas, pois, não importa aonde esteja, somos todos encantados pelas histórias e suas similitudes. Quais outras semelhanças você encontrou entre Mávka e La llorona? E conseguiu pensar em outro mito e conto que se assemelhe a esses dois?

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