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  • Foto do escritorMar de Afetos

Lista InspirArtistas: Autobiográficos

O ser humano utiliza de ferramentas artísticas como ritualizações desde o momento que se deu conta de sua existência. Fosse como forma de agradecimento ou cura, as artes eram uma conexão entre o mundo humano e o sagrado.


Após a dualidade corpo e mente oferecida por Descartes, nossa espécie se desconectou do ritualístico e sagrado e focou no corpo mecanicista. Ainda que a ciência desprezasse o modo de viver antigo, a natureza e arte continuaram, mesmo desvalorizadas, com papel de cura, porém, atrelada a cura da alma.


Atualmente, o campo social destrincha que o poder de criar novos significados está diretamente vinculado ao campo da resiliência. Durante o momento conturbado que estamos passando, a cultura e a ciência se firmaram dois pilares essenciais da sociedade e da construção acerca de como ser humano. A ideia cartesiana de separação de mente e corpo se comprovou inválida e caminhamos por um processo pacificação entre a cultura e a ciência, na qual ambas são matérias integradoras.


Enquanto a ciência se comprova com a eficácia contra a doença do corpo, a cultura acompanha o ser humano em seus processos através de denúncias, de momentos de relaxar, momentos de ressignificar, momentos de resiliência. Embora na cultura ocidental a arte não seja mais o remédio para o biológico, esta se impõe como a ferramenta de expressão da alma, interligada a saúde física do indivíduo e da sociedade.


Depois de quatro séculos de rechaço, o corpo social começa a re-enxergar e assumir o ser humano como ser biopsicossocial. Não obstante, a cultura sempre existiu e muitos já se utilizavam das artes como ferramentas terapêuticas. Neste post, exemplificaremos alguns artistas cuja resiliência se centra no poder transformador da arte:


Mundo da escrita: Marjane Satrapi.


Persépolis, de Marjane Satrapi, Companhia das Letras

Autora do célebre quadrinho Persépolis, a escritora e ilustradora criou uma obra autobiográfica sobre sua infância e seu início de vida adulta no Irã, realizando um contraste entre o antes, durante e depois da Revolução Islâmica. Indo além, também narrou as dificuldades enfrentadas por refugiados e imigrantes. É uma obra sensível, visceral e ao mesmo tempo de traços delicados que narram histórias de denuncias e resiliências.

Mundo das artes plásticas: Ethel Gilmour.


Gilmour, Ethel, Mandela ven por aquí, 80 x 70, Óleo sobre tela

Ethel Gilmour (1940 – 2008) foi uma pintora estadounidense que passou boa parte de sua vida na Colômbia. Durante sua estadia no país, evidenciou em suas obras os horrores dos conflitos armados. Nesta época, suas pinturas transitavam da “natureza e vida cotidiana” para malsinação da guerra vivida no país latino americano.

As cores vivas e meigas de suas obras, em contraste com uma temática dura, causavam incomodo no público que, por diversas vezes, queria ignorar a guerra. A mesma pintora abordava que o pintor pinta o que vive, então, se estava passando por um momento de violência, isso seria retratado em suas obras.


Mundo cinematográfico: filme Doentes de Amor.


Doentes de amor, filme de 2007

Contando a história de amor do humorista paquistanês Kumail e da estudante e roteirista Emily, a linda comédia romântica nos mostra de forma tragicômica os altos e baixos e o caminho repleto de emoções para finalmente ficarem juntos. Atualmente, os dois estão felizmente casados.


Mundo da música: Demi Lovato.


Foto: Emma McIntyre, retirada do site: rpp.pe
I tried to talk to my piano I tried to talk to my guitar Talk to my imagination Confided into alcohol
Anyone, please send me anyone, Lord, there is anyone? I need someone.

Afirmando desde já minha paixão por seu trabalho, a cantora, atriz e ativista sempre foi muito aberta em relação à sua saúde mental. Diagnosticada com transtorno bipolar e adicções, Demi Lovato trabalha desde pequena no mundo hollywoodiano. Sofrendo bullying durante a infância e adolescência e possuindo questões familiares, a artista transforma toda sua dor e luta em músicas que inspiram milhares de pessoas ao redor do mundo.

Em 2018, a cantora passou por uma experiencia de quase morte devido a uma overdose. Deixando-a de fora dos palcos por dois anos para focar em sua recuperação.

Em 2020 oficializou seu retorno performando a música Anyone, composta pela mesma antes da traumática experiencia, no Grammy, maior premiação de música.


Mundo da dança: Dielson Pessoa.


Fonte: www.onacional.com.br

“O silêncio e o caos”, espetáculo de Dielson Pessoa, narra um momento delicado e estrondoso de sua vida quando foi diagnosticado com bipolaridade e teve um surto psicótico. Transformando todas essas vivencias em dança, na obra, o dançarino nos comove e nos proporciona um momento de reflexão a respeito dos estigmas da saúde mental.





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